A GENTE NUNCA ESQUECE...
(Modificado de AT Revista 20/02/2010)
Agora se você está prestes a viver essa emoção, confira as dicas de especialistas :
Troca de olhares, sorrisos
envergonhados, coração
acelerado... sensações que
antecedem um beijo e mexem com
nossas emoções. Imagine, então, a
dimensão que esse momento toma
quando se trata do primeiro beijo.
Muitas vezes, depois de semanas,
ou mesmo, meses de paquera,
finalmente chega a hora tão
esperada, ensaiada e estudada nas
cenas dos filmes românticos.
Para a psicóloga comportamental
Suzana Assunção Pessôa, de
Santos, apesar de atualmente as
relações entre os jovens estarem
mais banalizadas, o primeiro beijo
ainda é algo que assusta os
adolescentes por ser uma novidade.
"Eles criam uma expectativa,
querem saber se vai ser bom ou não,
se vão saber o que fazer na hora, se
o outro vai gostar".
O momento que antes acontecia
mais cedo. Segundo o hebiatra
Maurício de Souza Lima, por volta
dos 11, 12 anos os adolescentes
geralmente já tiveram a primeira
experiência de beijo na boca.
"As meninas costumam beijar mais
cedo e com rapazes mais velhos,
pois elas amadurecem antes",
explica o médico que atua na
Unidade de Adolescentes e
coordenador do Ambulatório dos
Filhos de Mães Adolescentes do
Hospital das Clínicas da USP.
Para ele, o fato de não fazer parte do "grupo dos que já beijaram" é o que angustia os jovens. "Eles têm
vergonha de assumir para os amigos que são BV (boca virgem) por isso cedem à pressão". E afirma
que não existe uma idade certa, mas um momento certo. "É importante que seja na hora em que o jovem
ache interessante. Se ele vai beijar mais cedo ou mais tarde, não importa. Não é preciso pressa".
A psicóloga Suzana reitera essa opinião de que cada um tem o seu ritmo. "Se acontecer só porque os
amigos insistiram, vai faltar um pouco da magia do momento. Além disso, se for algo traumatizante,
pode trazer dificuldades para os relacionamentos futuros".
As sensações de ansiedade e medo são as mesmas com os meninos e as meninas em qualquer
idade: não sabem o que fazer na hora H, acham que o outro vai perceber que ele/a é BV, para que
lado virar a cabeça...Enfim, dúvidas não faltam. O que diferencia, na maioria dos casos, é que as meninas
costumam ser mais românticas, então querem que o primeiro beijo seja com a pessoa por quem se
apaixonaram. Já para eles dá mais status poder dizer que já beijou.
Para Suzana, ter um envolvimento com o outro pode facilitar. "Muitas coisas acontecem antes, durante e depois do primeiro beijo. E o cotidiano de um adolescente muda com a paixão. Quando há esse sentimento, o beijo é mais significativo e marcante".
"Meu primeiro beijo foi com 15 anos com uma menina de quem eu gostava há uns seis meses. Era semana de prova no colégio e nós estávamos na casa dela estudando com uns amigos. Eu estava ensaiando para tentar beijar há tempos, mas nunca imaginei que seria naquele dia. Ela precisava pegar um caderno no quarto e eu fui junto, aí em um momento acabamos ficando mais próximos, sentados na cama e eu pensei "você está a 4 cm da boca dela e ela não se afastou, é agora ou nunca". Tentei beijar uma vez e ela estava meio reticente. Tentei de novo e ela aceitou. Depois ainda namoramos por três meses. Meus amigos nunca me pressionaram, mas eu me pressionava. Via que eles falavam de beijo, de que tinham ficado com várias na matinê e eu não sabia como era. Não me arrependo de ter esperado. Foi uma sensação muito boa e legal por ser com alguém de quem eu gostava há bastante tempo. Isso não tem preço."
GUSTAVO AZEVEDO, 20 ANOS
"O cotidianode uma dolescente muda com a paixão.
Quando há esse sentimento, o beijo é mais marcante"
SUZANA ASSUNÇÃO PESSÔA,PSICÓLOGA
"Ele morava no Rio de Janeiro e nós nos conhecemos pela internet. Eu tinha 12 anos e ele, 15. Conversamos por um ano, aí ele veio para Peruíbe nas férias, porque a família tinha casa aqui, e combinamos de nos conhecermos. No dia em que ele veio, eu não comi, estava ansiosa, pensando
o que eu ia falar, se ia beijar logo ou não. Nós marcamos na praia em São Vicente, mas eu menti para minha mãe, disse queia para outro lugar. Só que, chegando lá, eu a vi e tive que ir embora. Foi como se
tivesse furado com ele. Depois combinamos de novo e ele ia passar na minha rua e parar em frente à casa de uma vizinha que sabia de tudo. Só que a mãe dele acabou parando na porta da minha casa eminha
mãe viu a placa do Rio de Janeiro. Como ela já tinha visto ligações de lá no meu celular, ligouos pontos. Aí acabamos saindo com vários amigos e fomos para a praia. Lá foi meu primeiro beijo. Ele não tinha contado,
mas era o primeiro dele também Não foi ruim, mas foi com plateia porque os amigos estavam perto e começaram a gritar, bater palma. Eu ainda namorei com ele por seis meses pela internet. Quando voltamos
para a minha casa, as nossas mães estavam conversando. Todo o plano de tentar esconder dela não deu certo, mas ficou uma lembrança ótima, não me arrependo de nada."
LORRAINE DOS SANTOS SANTANA, DE 16 ANOS
com certeza o segundo será melhor"
O hebiatra Maurício de Souza Lima afirma que até hoje ainda há a preocupação em "treinar o beijo".
Existem exemplos dessa prática, como chupar laranja, beijar a dobrinha da mão entre o indicador e
o polegar e colocar gelo no copo para tentar pegar com a língua.
"Se o jovem achar interessante, esses testes podem ajudar a dar mais tranquilidade enquanto o beijo
propriamente dito não acontece".
normais em quem nunca beijou avisa: "O primeiro não é dos melhores. A gente não aproveita
direito, fica insegura".
Ela deu seu primeiro beijo aos 13 anos numa festa junina da escola. Os dois já tinham interesse,
mas ninguém tomava atitude. "Foi bom, mas eu esperava uma cena daquelas de beijo de filme e não foi
assim. A gente fica com as pernas bambas, sente frio na barriga, não sabe para que lado vira a cabeça,
mas no fim dá tudo certo", conta. Para Fernanda, hoje os adolescentes estão cada vez mais
precoces. Muitos primeiros beijos são dados em rodas da brincadeira
Verdade ou Desafio, para impressionar os amigos. "Têm tanta
pressa que acabam desvalorizando
esse momento tão bom".
amigos. "A menina ficou um ano tentando ficar comigo e eu não queria porque ela não era muito bonita. Mas, de tanto pegar no meu pé, acabei aceitando", conta ele, que teve a primeira experiência aos
11 anos, antes dos amigos. Os dois moravam na mesma rua e, cansado da insistência da garota,
o beijo aconteceu ali mesmo, próximo dos amigos vizinhos. André acredita que foi bom ter resolvido
assim de repente, pois não teve tempo de criar expectativa, nem de ter medo. "Eu resolvi na última hora, então foi inesperado. E apesar da garota não ser bonita, ela beijava bem, então valeu a pena".
SINAIS DE INTERESSE
Se você está em dúvida se aquela menina ou aquele garoto realmente está a fim de você, aqui vão algumas dicas. O terapeuta e fisiognomonista (especialista em leitura facil e corporal) Fábio Pellozzo, de São Paulo, explica que quem está interessado em outra pessoa dá algumas pistas. "Todos os adolescentes são tímidos, então existem sinais característicos como uma desviada no olhar quando percebe que o outro está
olhando, o rosto fica avermelhado, dá um sorriso sem graça".
Já se a conversa está acontecendo, uma boa dica é perceber a posição do corpo do
outro. Inclinado para frente, próximo da outra pessoa, é sinal de que está gostando da conversa, se
sentindo à vontade.Ao contrário, se está distante ou foge de algum toque, é porque quer distância
e não está confortável na situação.Segundo Fábio, os adultos costumam dar sinais parecidos, mas tentam manipulá-los, enquanto os adolescentes são mais naturais.
Para a psicóloga Suzana, apesar do primeiro beijo ser tão marcante, talvez os jovens fiquem mais
tranquilos ao saber que durante toda a vida vão ter vários primeiros beijos.
Com cada pessoa que acontecer um envolvimento, essas sensações de nervosismo, ansiedade e coração acelerado acontecerão da mesma maneira. "É sempre uma descoberta. O primeiro dá mais medo por
ser novidade, mas as sensações continuam por toda a vida e nos acostumamos com elas".
Maurício Lima afirma que o importante é saber que independentemente de idade, sexo ou local, não existe beijo bom ou ruim. "Existe o que combina e o que não combina. Se o primeiro não foi bom, o segundo será melhor". Mas a velha máxima permanece:
"o primeiro beijo a gente nunca esquece..."



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